A Depressão e o apoio da Família

21/08/2012

A DEPRESSÃO AFETA TODA A FAMÍLIA

John H. Greist, MD* / James W. Jefferson, MD*



Todos nós ocasionalmente experimentamos sensações de tristeza ou “melancolia”. Essas emoções são parte normal da vida, como, por exemplo, a mágoa que sentimos após a perda de um ente querido. Entretanto, quando as sensações de infelicidade tornam-se constantes e começam a interferir nas funções corporais das pessoas, estamos falando sobre uma doença chamada depressão. É provável que esteja lendo esta matéria porque você ou um membro de sua família foi diagnosticado como portador de depressão. Possivelmente você suspeita que um membro de sua família está deprimido e deseja saber o que pode fazer para ajudar. Se assim for, está no caminho certo. Aprender tudo que pode sobre depressão e seus tratamentos disponíveis é uma das melhores formas de ajudar alguém a quem você muito estima (ou você mesmo) a entrar no caminho da recuperação.

Os transtornos depressivos podem causar imenso sofrimento, não somente à pessoa que está deprimida, mas também àquelas que estão mais próximas dela. Se não for tratada, a depressão pode provocar um grande abalo na vida familiar. Felizmente, a depressão costuma responder bem ao tratamento, e realmente existem tratamentos eficazes. Este libreto lhe dá uma visão geral resumida dos sinais, sintomas e causas da depressão e fala sobre as várias opções de tratamento hoje disponíveis. Também examinaremos as formas através das quais famílias inteiras podem ter uma participação ativa em apoio a parentes com depressão, ajudando-os a obter o máximo do seu programa de tratamento. Lembre-se, o primeiro passo é entender a doença.

DEFININDO A DEPRESSÃO

Quando usamos o termo depressão, estamos falando de uma condição médica comum, com sintomas muito específicos. Esses sintomas têm uma intensidade e duração significantes e podem afetar as funções e o bem-estar de uma pessoa, de várias formas. Esse tipo de depressão requer tratamento, uma vez que pode prejudicar seriamente a capacidade de uma pessoa desempenhar as atividades inerentes a uma vida normal, no trabalho, e em seus relacionamentos. A depressão pode afetar, de inúmeras formas, o nível de humor, a perspectiva de vida, o comportamento e as funções físicas de uma pessoa. O estado de humor de uma pessoa deprimida é quase sempre de tristeza ou de angústia, e a irritabilidade é comum. Sentimento de ansiedade ou uma sensação de medo de que algo de terrível está para acontecer, com freqüência acompanha os sintomas da depressão.

O pensamento depressivo geralmente está muitas vezes associado a uma baixa auto-estima e pode tomar a forma de idéias negativas sobre si mesmo e o seu futuro. Numa depressão severa, sentimentos de inutilidade e desesperança podem debilitar a pessoa deprimida, a qual pode começar achar que não vale a pena viver. Em um caso como este, o suicídio pode ser um perigo real. (Sempre leve a conversa de suicídio a sério, pois pode ser a forma de uma pessoa deprimida pedir socorro antes de levar adiante uma tentativa de suicídio).

Como é possível saber se alguém está com depressão?

O primeiro sinal geralmente é uma alteração no comportamento usual da pessoa. Por exemplo, uma pessoa anteriormente alegre e sociável pode tornar-se irritável e retraída. Ela pode perder o interesse nas atividades que antes eram apreciadas ou pode começar a ter problemas com o sono ou apetite.

Considerando que cada pessoa é um ser individual, os sinais de depressão podem variar enormemente de pessoa para pessoa. Entretanto, alguns dos sinais observados com maior freqüência estão relacionados no quadro abaixo:

SINAIS COMUNS DE DEPRESSÃO

• Humor deprimido
• Perda de interesse em atividades anteriormente prazerosas
• Insatisfação com a vida
• Afastamento das atividades sociais
• Perda de energia
• Perda de interesse sexual
• Sensação de desamparo ou desesperança
• Irritabilidade
• Grande preocupação com problemas de saúde
• Tristeza e choro
• Preocupação e/ou autocrítica
• Dificuldade em concentrar-se e/ou tomar decisões
• Insônia
• Perda de apetite e de peso (ou, menos comumente, sono mais prolongado e ganho de peso corporal).
• Abuso de substância prejudiciais

Quando suspeitar que alguém que você estima (ou você mesmo) está deprimido, é importante falar com um profissional de saúde. Seu médico pode ser a primeira pessoa a oferecer sugestões, apoio e informações sobre opções de tratamento eficaz. Mais adiante, neste libreto, falaremos sobre o que fazer quando um familiar deprimido estiver relutante em aceitar ajuda profissional.

QUEM É AFETADO PELA DEPRESSÃO?

Depressão é um transtorno muito comum em nossa sociedade, afetando cerca de 5% da população em um dado momento. Pesquisadores estimam que aproximadamente 10% dos americanos sofrerão um episódio depressivo maior em algum período de suas vidas. Alguns calculam que essa incidência seja da ordem de 25%, especialmente na população feminina. As pessoas que já tiveram uma crise depressiva têm maior tendência a desenvolver um outro episódio do que aquelas que não passaram por essa experiência. As pessoas propensas à depressão podem ter uma média de cinco episódios em toda a sua vida. Felizmente, os estudos mostram que tratamento precoce pode reduzir a severidade e a duração dos episódios depressivos para a maioria das pessoas.

A depressão afeta pessoas de ambos os sexos, de todas as raças, idades e posição social. Existe evidência, entretanto, de que certos grupos de pessoas podem ser mais vulneráveis à depressão do que outros. Antes dos 65 anos de idade, mais mulheres do que homens são diagnosticadas com depressão, mas após essa idade, tanto homens como mulheres parecem ser afetados igualmente. Crianças e adolescentes também podem tornar-se deprimidos, e adolescentes podem ser especialmente suscetíveis. Até recentemente, muitas pessoas tendiam em não admitir sinais de depressão em adolescentes, acreditando que os mesmos eram parte normal da problemática da adolescência ou ‘simplesmente uma fase’ que os jovens logo superariam.

Hoje, os especialistas reconhecem que os adolescentes são tão vulneráveis a transtornos depressivos quanto os adultos e talvez até mesmo com risco maior de suicídio. De fato, nos últimos 30 anos, o índice de suicídio triplicou entre os jovens - uma tendência trágica e alarmante. Os especialistas acreditam agora que muitas pessoas com propensão à depressão experimentam seu primeiro episódio entre 15 e 19 anos. Os sintomas da depressão em um adolescente são freqüentemente similares àqueles observados em adultos, mas podem também incluir, raiva, comportamento agressivo, uma baixa no desempenho escolar e outras formas de ‘manifestação’.

O QUE CAUSA DEPRESSÃO?

Não existem respostas fáceis para essa pergunta, porque a depressão é quase sempre causada por uma combinação de fatores complexos. Ela pode ser desencadeada por um acontecimento preocupante na vida, tal como a perda de um emprego ou de um relacionamento importante. Mas, o que faz com que algumas pessoas se tornem deprimidas em resposta a eventos externos? Pesquisadores sugeriram inúmeros fatores possíveis.

O papel da genética

Parece existir um componente “hereditário” em muitos casos de depressão. Em outras palavras, se outros parentes mais próximos forem propensos à depressão, a sua tendência em ter a doença será maior. Por exemplo, se um gêmeo idêntico tiver depressão, existe uma chance de 70% do outro gêmeo também desenvolver depressão. Nos filhos, pais e irmãos de uma pessoa deprimida (incluindo gêmeos não-idênticos) a probabilidade de desenvolvimento de depressão é de aproximadamente 15%. Nas pessoas que não têm parentes chegados que sofrem de depressão, a probabilidade de virem a desenvolver depressão é de apenas 2% a 3%. Parece haver verdade na idéia de que a depressão pode “disseminar-se na família”

Fatores Bioquímicos

Uma nova área promissora da pesquisa está examinando possíveis causas físicas de depressão. Muitos especialistas acreditam agora que a depressão pode ser causada por um desequilíbrio ou rompimento no nível de alguns importantes elementos químicos do cérebro chamados neurotransmissores. Apesar de os pesquisadores não terem ainda todas as respostas, conseguiram desenvolver inúmeras medicações para modular os níveis de neurotransmissores revelados como eficazes no tratamento da depressão.

Doença, medicações e álcool

Certas patologias e viroses foram associadas com o risco crescente de desenvolvimento de depressão, incluindo a gripe, hepatite e acidente vascular cerebral, doença de Cushing e problemas de tireóide. Além disso, a depressão pode às vezes se manifestar sob a forma de efeitos colaterais de quaisquer dos vários e diferentes medicamentos de uso comum, tais como contraceptivos, anti-hipertensivos, esteróides, pílulas para dormir, e tranqüilizantes. O álcool é também um fator contributivo bem conhecido.

Fatores ligados ao próprio desenvolvimento e outros fatores externos

Existe alguma evidência de que as crianças que sofrem perdas prematuras de pessoas importantes, especialmente os pais, são mais propensas em desenvolver depressão, mais tarde, na vida. Dificuldade em relacionar-se, problemas de comunicação e conflitos com familiares, colegas de trabalho ou outros, podem também contribuir para o isolamento, alienação e subseqüente depressão. Dificuldades financeiras e outros estresses impostos pela vida também podem ter um forte impacto. Obviamente, cada caso de depressão é um caso individual. Com freqüência, é impossível apontar uma causa especifica. Uma coisa importante para todos os membros da família é que os mesmos se conscientizem de que a depressão não é ‘falha’ de ninguém e que ninguém (inclusive a pessoa deprimida) deve ser culpado pela situação.

COMO A FAMÍLIA PODE AJUDAR

A depressão é um transtorno que afeta toda a família. As pessoas deprimidas podem despertar sentimentos de frustração, culpa e até mesmo de raiva nos familiares, os quais podem guardar ressentimento ou ter dificuldade de entender os problemas da pessoa deprimida. Estudos mostram que as pessoas deprimidas são mais passíveis de experimentar sentimentos de rejeição ou julgamentos negativos por parte de terceiros do que as não deprimidas, e as reações negativas de outros membros da família podem agravar ainda mais os seus sentimentos de desesperança e baixa auto-estima.

O que a família pode fazer para ajudar?

Sem dúvida, compreensão é a chave. Quanto mais uma família conhecer sobre depressão, mais bem preparada estará para oferecer apoio na hora em que o familiar deprimido necessitar. Aprender mais detidamente sobre tratamentos eficazes da depressão também ajudará a incentivar a pessoa deprimida a aderir ao plano de tratamento prescrito. Algumas famílias se beneficiam da participação em terapia ou aconselhamento familiar para entenderem melhor os complexos aspectos envolvidos na depressão. O aconselhamento pode ajudar toda a família a aprender sobre estratégias de comunicação mais eficazes e melhores formas de combater a depressão em casa. (Falaremos sobre aconselhamento mais adiante, em outra parte desta matéria). Associar-se a um grupo de apoio para pessoas com depressão e suas famílias é uma outra opção. Você ficaria assombrado ao descobrir como é útil e tranqüilizador poder falar com outras pessoas que entendem exatamente o que você e sua família estão passando! Essas organizações podem oferecer ajuda para encontrar um grupo de apoio em sua área e são também uma boa fonte de informações para auxiliar na sua educação sobre depressão. Entrementes, aqui estão algumas sugestões que ajudarão a fortalecer o combate à depressão, e que sua família pode começar a usar imediatamente.

FORMAS DE APOIAR UM MEMBRO DEPRIMIDO DA FAMÍLIA

• Tente manter um relacionamento o mais normal possível
• Reconheça que a pessoa está sofrendo
• Não espere simplesmente que a pessoa “melhore repentinamente”
• Envie esforços para que a pessoa decida se tratar e melhorar
• Demonstre afeição, ofereça palavras reconfortantes e faça elogios
• Mostre que você respeita e valoriza a pessoa
• Ajude a pessoa a manter-se ocupada, um membro ativo da família
• Não critique, atormente ou censure a pessoa por seu comportamento deprimido
• Não diga ou faça qualquer coisa que, em sua opinião, poderia piorar a imagem pouco satisfatória que a pessoa já tem de si mesma.
• Leve a sério qualquer conversa sobre suicídio e notifique o fato imediatamente ao médico ou ao profissional responsável.

E SE A PESSOA DEPRIMIDA NÃO QUISER SER AJUDADA?

Geralmente, pedir ajuda é difícil, especialmente em se tratando de pessoas deprimidas que podem sentir-se culpadas e pensar que “já causaram problemas o bastante”. Por outro lado, as pessoas deprimidas às vezes se vêem tomadas por uma sensação de desesperança que as fazem parar de procurar ajuda, pensando “porque incomodar, nada fará nenhuma diferença”. Uma vez mais, compreensão e educação são os fundamentos de uma abordagem positiva. Ofereça aos familiares de um deprimido acesso para obterem informações sobre depressão e seus tratamentos. Eles podem não ter idéia de que a depressão responde bem ao tratamento e que logo a pessoa deprimida poderia sentir-se muito melhor.

Tranqüilize as pessoas de quem você gosta dizendo que ter depressão não é um sinal de “fraqueza”. Saliente que a depressão é uma doença que requer tratamento, como a pneumonia ou a artrite, e que procurar um tratamento para uma doença não é motivo para se envergonhar.

Se você acha que um parente deprimido está pensando em suicídio, não hesite em contatar seu médico, um centro de saúde mental local ou um centro de prevenção de crise de suicídio. Conversas sobre suicídio sempre devem ser levadas em conta.

DEFININDO A DEPRESSÃO

Atualmente existem várias opções de tratamento eficazes para depressão, e mais pessoas deprimidas podem se beneficiar extraordinariamente do tratamento.

Escolher um programa de tratamento correto é um processo individual que depende não só da severidade da depressão, mas da preferência da pessoa deprimida e opinião profissional do médico. Algumas vezes, uma combinação de tratamentos produz maior benefício. Em qualquer caso, seu médico é a pessoa certa a ser consultada para uma revisão de todas as opções disponíveis e uma decisão sobre o que é mais adequado para o familiar deprimido. Vamos dar uma rápida olhada em algumas das opções.

E quanto ao aconselhamento?

Aconselhamento ou psicoterapia (também conhecida como “terapia de exposição dos problemas”) pode ser muito útil para algumas pessoas deprimidas. De fato, para alguém que sofre de depressão branda, o aconselhamento pode ser o único tratamento necessário. Durante o aconselhamento, o terapeuta e os pacientes discutem as experiências, relacionamentos, eventos e sentimentos que são importantes ao paciente, num esforço para esclarecer as áreas de dificuldade na vida da pessoa deprimida. Pelo fato da depressão causar impacto na vida familiar, a participação de toda a família pode ser útil. Você poderá discutir essa opção com seu médico. Alguns dos tipos mais comuns de aconselhamento que têm demonstrado ser úteis são conhecidos como psicoterapias de apoio, cognitiva, comportamental, e interpessoal.

MEDICAMENTOS ANTIDEPRESSIVOS SERÃO DE AJUDA?

Medicações antidepressivas podem ser úteis na correção dos desequilíbrios químicos que podem causar depressão maior. Hoje existem várias e diferentes opções para a escolha de antidepressivos. De um modo geral, acredita-se que as medicações antidepressivas atuem através de um mecanismo que aumenta a oferta de neurotransmissores no cérebro para restaurar o balanço químico. As principais categorias de antidepressivos incluem os inibidores seletivos da receptação de serotonina (ISRSs), antidepressivos tricíclicos (ATG), inibidores de monoamino-oxidase (IMAOs), e vários outros antidepressivos mais recentes.Você também já deve ter ouvido falar sobre o lítio, que é usado principalmente para tratar um tipo de depressão conhecida como ‘transtorno maníaco-depressivo’. Esta condição está associada com grandes alterações no estado de humor, tanto acima (mania) como abaixo (depressão) da variação normal de humor. Você precisará conversar com o seu médico para determinar que antidepressivo é o mais adequado para o seu caso. Todas as medicações produzem efeitos colaterais; se você achar que os efeitos colaterais de qualquer medicação são por demais inconvenientes, diga isso ao seu médico. Ele poderá querer ajustar a dose ou prescrever uma diferente medicação.

Terapia eletro-convulsiva, ou terapia de ‘choque’, pode ser extremamente útil em casos de depressão severa. Embora possa parecer atemorizante, a terapia eletro-convulsiva (ECT) não dói e, na verdade, é mínimo o estresse causado ao corpo. A maioria das pessoas, mesmo as mais idosas, tolera muito bem este tipo de terapia. A ECT geralmente age com bastante rapidez, permitindo às pessoas retornarem a uma vida mais produtiva quase que imediatamente após a terapia.

A LUZ NO FIM DO TÚNEL

Você pode achar que lidar com depressão é uma das situações mais desafiantes que a sua família já enfrentou. Entretanto, um período como esse também representa uma excelente oportunidade para todos os familiares chegarem a uma melhor compreensão das suas próprias forças e fraquezas e também as de cada um dos membros, e de todos os fatores que favorecem a integração das pessoas como um todo. Quando uma família se une para ajudar um dos membros a atravessar os tempos difíceis, o resultado pode ser uma sensação maior de força para toda a unidade familiar Lembre-se, o todo é freqüentemente maior do que a soma de suas partes. Trabalhando junto com outros membros da família e seu médico, você pode descobrir a luz no fim do túnel.

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Distinguished Senior Scientists
Dean Foundation for Health, Research
and Education, Middleton, WI
Clinical Professors of Psychiatry
University of Wisconsin Medical School, Madison, WI

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